É muito comum chegar alguém na oficina dizendo que quase não usa o carro. Às vezes o veículo sai só no fim de semana, às vezes fica dias parado na garagem, às vezes é usado apenas para trajetos curtos dentro da cidade. E quase sempre essa informação vem acompanhada de uma expectativa: a de que, por rodar pouco, o carro não precise de tanta manutenção assim.
Esse raciocínio parece lógico à primeira vista, mas não corresponde à realidade do funcionamento de um veículo. Na prática, rodar pouco não significa preservar o carro. Significa apenas que ele está sujeito a outro tipo de desgaste — mais silencioso, menos perceptível e, muitas vezes, mais traiçoeiro.
Quando falamos em desgaste automotivo, muita gente imagina apenas peças se movimentando, atrito, quilometragem aumentando no painel. Mas o carro não é um objeto inerte quando está parado. Ele continua exposto ao tempo, à variação de temperatura, à umidade do ambiente e ao envelhecimento natural dos materiais que o compõem.
Mesmo parado, o veículo envelhece. E esse envelhecimento não aparece de forma clara no início. Ele não acende luz no painel, não faz barulho imediato e não gera sensação estranha ao dirigir. É justamente por isso que costuma ser ignorado.
Um dos exemplos mais comuns é o óleo do motor. Existe a ideia de que, se o carro quase não roda, o óleo pode ficar ali por muito mais tempo. O problema é que o óleo não perde eficiência apenas por quilometragem. Com o passar dos meses, ele oxida, perde propriedades e deixa de cumprir sua função de proteger as partes internas do motor como deveria.
O resultado é um desgaste interno que acontece de forma lenta e contínua, mesmo em carros aparentemente bem conservados. Quando o problema aparece, geralmente já não é simples nem barato de resolver.
Outro componente que sofre bastante com o pouco uso é a bateria. Diferente do que muitos imaginam, a bateria não se mantém carregada apenas por existir. Ela depende do funcionamento do veículo para receber carga adequada. Em carros que rodam pouco, o alternador muitas vezes não tem tempo suficiente para repor a energia consumida, enquanto sistemas eletrônicos continuam drenando carga mesmo com o carro desligado.
É por isso que tantas baterias “morrem do nada” em carros pouco usados. Não é azar. É consequência do uso esporádico.
Há ainda o envelhecimento dos materiais. Pneus, mangueiras, retentores e outras peças de borracha não precisam estar em movimento para se deteriorar. Com o tempo, eles ressecam, perdem elasticidade e passam a falhar. Muitas vezes o carro fica meses parado aparentemente perfeito, e o problema surge justamente quando volta a rodar com mais frequência.
Esse tipo de falha costuma pegar o motorista de surpresa, porque não dá aviso prévio.
Os fluidos do veículo seguem a mesma lógica. Fluido de freio, fluido de arrefecimento e outros líquidos essenciais têm prazo de validade. Com o tempo, absorvem umidade, perdem eficiência e deixam de proteger corretamente os sistemas onde atuam. Ignorar isso é comprometer diretamente a segurança do veículo, mesmo que ele rode pouco.
Por isso os fabricantes deixam claro nos manuais: a manutenção deve seguir quilometragem ou tempo, o que acontecer primeiro. Essa orientação não existe por acaso. Ela leva em conta exatamente esses desgastes que não dependem do carro estar rodando todos os dias.
Ainda assim, esse ponto costuma ser negligenciado, principalmente por quem utiliza o carro apenas para trajetos curtos ou esporádicos. E é justamente nesses casos que a manutenção preventiva se torna ainda mais importante.
Manutenção preventiva não é exagero, nem troca desnecessária. É planejamento. É a diferença entre cuidar do carro de forma consciente ou esperar que ele avise quando algo já está errado. Quem espera aviso quase sempre paga mais caro.
Na APARBS, a orientação ao cliente parte desse princípio. A manutenção não é feita por achismo, nem apenas olhando o painel. Ela considera o tempo de uso, o histórico do veículo e a forma real como aquele carro é utilizado no dia a dia. É assim que se evita surpresa, retrabalho e problemas que poderiam ser prevenidos.
Rodar pouco não elimina a necessidade de revisão. Apenas muda o tipo de atenção que o carro exige. Cuidar de um veículo é respeitar o tempo tanto quanto a quilometragem.

